Entre desejar e conseguir, existe a palavra esforço.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Vontades próprias.

É engraçado a minha falta de jeito. Depois de algum tempo, a gente parece que perde a manha. Hoje mesmo, escutando Barão Vermelho e o violão no canto, implorando para ser tocado.Pude perceber que os velhos hábitos, aquele processo de o pré tá enferrujado. Não culpo o meu coração, ele é o sobrevivente de uma grande guerra tempos atrás. Talvez a minha afobação de mostrar pra todo mundo, que o coração aguentava mais uma porrada. Sinto dizer que não me arrependo de a minha mudança ter colocado a nossa relação em a última coisa da minha vida, já não ligo mais. Ver você já se transformou em obrigação e assim vai perdurar durante algum tempo. Como que eu posso ser tão fria com relação a você? Você que foi um tudo e é hoje um nada. Mas não lamento meu destino seguro, eu tô bem. Nada que um bom blues e uns drinks  não melhorasse. Eu atravessei aquele deserto escuro pra chegar aqui, e no meio do meu caminho, eu vacilei, olhei pro lado, e qual a minha surpresa, algo tava lá. Daí eu rir, e lembrei que mês passado tinha jogado a minha pulseirinha azul do Bonfim no lixo e dizendo que era besteira acreditar em acasos. Tive vontade de tomar banho de chuva, mas o inverno tão ciumeiro não derramou nenhum pingo. O violão continua lá, de marcação comigo e implorando por uma notinha. Quase toquei pra ver se do outro lado da cidade aquele garoto escutava. Quem sabe me mandava uma mensagem dizendo que me achava muita louca, mas tava pouco importando, porque era assim que ele me queria. Novos ares, novas escolhas. Tive vontade de bater na porta dele e implorar um canto na cama ou no sofá. E imaginando eu usando a blusa velha dele. E chegar na cama e rir da baboseira que o amor faz com a gente. Eu   me contesto por ter esquecido de comprar um vinho. E todo dia eu durmo com o Chico, e penso em você sempre que ele afirma a minha verdade amorosa. É uma pena você morar do outro lado da cidade, era bem capaz de bater na tua porta e ver sua cara de surpresa em contraste com o meu ansiosa. É, o violão continua lá e eu lembro de que talvez amanhã eu toco aquela música que sempre me lembra uns olhos castanhos.