Tu és medroso. Medroso, ouviu? Tens medo disso aqui, desse tu e eu, desse nós. Achas que pode estar perto em corpo e que podes privar a tua alma da minha. Não é assim? Não é isso que pensas? Tu ficas aí, calculando distâncias, traçando linhas limites para não se envolver, para não se prender a mim. Tens medo de mim. Tens sim. E ficas com essa cara, por que sabes que tenho razão. Dizes que não entendes, que não enxerga nada disso, mas é tudo fuga. É tudo vão.
Aonde pensas que vai? Até quando achas que pode ir? Pensaste nisso? És assim, tão previsível? Apenas atos ensaiados, sorrisos medidos? Tu pensas que é chuva, mas eu digo que sou sol. Tu podes vir e passar, mas eu vou permanecer aí, nesse teu coração duro, por que já fiz marca nele. Já te arranhei por dentro e por isso tu foges. Mas não adianta, não. Tua fuga te leva para longe, mas não me arranca de ti. Eu fico na tua cabeça, no teu peito e daí eu não saio. Tu sabes que é verdade. Sabes tanto, que todos esses dias juntos no mesmo lugar, tu não paravas de me olhar, você na sua discrição, não repara que tem gente olhando, e que minha intuição queimava meu rosto, pois você olhava, mas era um olhar triste e pidão, pois sabes que me ama e que sempre me amou. Por que é dificil me dizer isso? Vai esperar eu ficar com uma outra pessoa, namorar ela, noivar e casar e quando velhinho me dizer?
Quero - te aqui, como sei que tô aí.